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Governança em empresas familiares: por que a sucessão começa antes da herança

maio 20, 2026

Empresas familiares têm papel relevante na economia brasileira, mas também concentram alguns dos desafios mais complexos em termos societários.

Entre eles, a sucessão se destaca.

Tradicionalmente tratada como uma questão patrimonial — ligada à herança, inventário ou planejamento tributário —, a sucessão é, na prática, um tema de governança.

O risco não está apenas na transferência de quotas ou ações, mas na ausência de clareza sobre papéis, poderes e expectativas entre os membros da família e a estrutura empresarial.

Nesse contexto, três dimensões são fundamentais.

A primeira é a propriedade.

É essencial definir quem são os titulares das participações, como se dará a divisão entre herdeiros e se haverá distinção entre aqueles que atuarão na gestão e aqueles que permanecerão como investidores. A falta de alinhamento nessa etapa costuma gerar disputas que ultrapassam o campo jurídico e afetam diretamente as relações familiares.

A segunda dimensão é a gestão.

Nem todo herdeiro está preparado — ou deseja — assumir funções executivas. Separar propriedade de administração é um passo importante para a profissionalização do negócio. Estruturas como conselhos consultivos ou de administração contribuem para decisões mais técnicas e menos personalizadas.

A terceira dimensão envolve as regras familiares.

A formalização por meio de protocolos familiares permite estabelecer critérios claros sobre ingresso na empresa, remuneração, distribuição de lucros e mecanismos de resolução de conflitos. Sem essas diretrizes, decisões estratégicas tendem a ser influenciadas por fatores emocionais.

Instrumentos como holdings patrimoniais podem auxiliar na organização da estrutura societária e na transição geracional. No entanto, é importante destacar que estrutura, por si só, não substitui governança.

Uma sucessão bem-sucedida não é apenas aquela que evita litígios.

É aquela que preserva o valor econômico da empresa, garante a continuidade das operações e mantém o alinhamento entre família e negócio.

Por isso, a discussão sucessória deve ocorrer em momentos de estabilidade — e não em cenários de urgência.

Empresas que se antecipam e estruturam sua governança aumentam significativamente suas chances de perpetuidade.

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