CNA, que representa produtores rurais, aprova discurso

O discurso do presidente Jair Bolsonaro ontem na abertura da 74ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) dividiu opiniões entre entidades do agronegócio que decidiram se pronunciar sobre o tema.

Enquanto a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), principal porta-voz dos produtores rurais do país, saiu em defesa de Bolsonaro, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que reúne empresas de papel e celulose, fez duras críticas ao posicionamento do presidente em relação às questões ambientais.

“O presidente Jair Bolsonaro em seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU reforçou alguns pontos importantes para a abertura econômica do Brasil e, consequentemente, a atração de novos investimentos.

O primeiro ponto é o da soberania do Brasil sobre os seus recursos naturais. Pode-se até debater o tom com que a mensagem foi transmitida pelo Presidente da República e seu discurso perante os membros da ONU, mas uma coisa é certa: os recursos naturais são soberanos dos Estados na sua gestão e utilização (como já foi consagrado pela própria ONU na Resolução 1803 (XVII) de 14 de dezembro de 1962). Não cabe a qualquer Estado desafiar esta soberania como parte de uma retórica para captar aliados. Se a utilização dos recursos naturais dentre de uma país está causando prejuízo à outro Estado, cabe a este Estado, dentro das regras do direito internacional, apresentar ação junto à Corte Internacional de Justiça e provar o dano.

No segundo ponto, o Presidente aponta para a força do agronegócio no Brasil, que a despeito das contradições e potencial de danos ao meio ambiente, durante os últimos anos de grave crise econômica, tem segurado o PIB brasileiro.

Desse modo, observamos a cristalização da estratégia do governo em cada vez mais liberalizar a economia, não somente sinalizando a melhora do ambiente de negócios, mas, também, promovendo os ajustes nos setores da economia para atrair mais investidores.” comenta Dr. Douglas de Castro, Advogado responsável pela área Ambiental e Regulatória do Cerqueira Leite Advogados Associados.

Procurada, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), que representa as agroindústrias instaladas no país – e que também vinha criticando a postura do governo em relação às questões ambientais, por temer a imposição de barreiras aos produtos do país no exterior -, preferiu não conceder entrevista ou publicar nota.

“O presidente Jair Bolsonaro conseguiu posicionar o Brasil na ONU. Defendeu a soberania nacional, esclareceu equívocos sobre a Amazônia e ressaltou o importante papel do Brasil na produção mundial de alimentos e na preservação do meio ambiente”, afirmou João Martins, presidente da CNA, em comunicado.

“Ele também afastou a tese de que o governo está colocando o mundo contra o agro brasileiro, defendendo não apenas o setor, mas toda a nação”, acrescentou. Isso porque Bolsonaro fez um discurso agressivo contra a esquerda, voltou a criticar o presidente francês, Emmanuel Macron, e falou ser uma “falácia” dizer que a Amazônia é um patrimônio da humanidade. O presidente também leu uma carta de agricultores indígenas a favor da liberdade econômica em suas terras.

“Nós perdemos uma grande oportunidade hoje [ontem], num fórum extremamente qualificado e sobre uma temática que mobiliza o mundo, de posicionar melhor o nosso país e trabalhar uma imagem forte, com protagonismo. Estamos num momento em que a agenda do clima está presente no planeta”, afirmou Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo pelo PMDB e presidente da Ibá desde o último mês de março.
Para Hartung, setor produtivo, academia, organizações não governamentais (ONGs) e governos terão mais uma chance de melhorar a imagem internacional brasileira no próximo mês de dezembro, na 25ª Conferência do Clima (CoP-25), que acontecerá em Santiago, no Chile.

 

“Em seu discurso, Jair Bolsonaro focou o debate para dentro, falou para o público interno. Mas nosso país é uma potência ambiental. E nós brasileiros temos todos, no plural, que construir uma forte imagem para o país”, acrescentou Hartung. Mais cedo, em evento em Brasília, ele já havia criticado o radicalismo na questão ambiental e defendido a reconstrução da imagem do país nessa frente.


 

Fonte: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/09/25/cna-que-representa-produtores-rurais-aprova-discurso.ghtml