Cerqueira Leite chama executivo para gestão 14/03/2016

O desenvolvimento de métricas de desempenho dos advogados e o estabelecimento de planos de incentivo estão entre as principais tarefas do gestor Rodrigo Ribeiro, há oito meses na banca

São Paulo – Mesmo com a atividade econômica em queda, a visão do Cerqueira Leite Advogados Associados é de que este é o momento de investir. Além de estar de casa nova, o escritório contratou um executivo profissional para fazer uma renovação nos métodos de gestão.

Há oito meses no escritório, o gerente-geral Rodrigo Ribeiro conta que, para quem tem possibilidade de fazê-lo, o investimento durante a crise é uma medida muito positiva porque as condições de negociação são favoráveis. “Quando o mercado está em alta, até encontrar um executivo é algo desafiador”, diz.

Formado em engenharia elétrica, mas com carreira na área comercial e de marketing em multinacionais, a missão inicial de Ribeiro tem sido criar indicadores mais precisos para medir o desempenho dos advogados do escritório, seja no desempenho das tarefas técnicas ou em atividades mais estratégicas, como a captação de clientes.

Ligados aos indicadores, conta ele, foi criado um plano de incentivos financeiros para estimular os advogados. “Tudo passa a ser medido. Existe uma meta e o seu cumprimento é medido pelo indicador. E com base no indicador, existem prêmios, incentivos. Isso dá uma clareza para os advogados e a sensação de que cada um é responsável pelos próprios resultados”, afirma.

Com 11 anos de fundação e um corpo técnico de 20 profissionais, o escritório fundado por Ricardo Cerqueira Leite se posiciona como uma banca de atendimento completo – o que no jargão jurídico leva o apelido de full service. Para Ribeiro, a ideia é atingir empresas já com um porte médio ou grande e que não encontram refúgio nos grandes escritórios.

“As grandes bancas já têm clientes de maior porte para atender. Então, pode ser que uma empresa menor não consiga a atenção que deseja”, afirma ele. Ribeiro entende que mesmo empresas norte-americanas ou europeias que procuram um caminho para entrar no Brasil acabam se encaixando nesse mesmo raciocínio. “Já no Cerqueira Leite essa empresa vai ter acesso a tudo que precisa com um custo razoável”, acrescenta.

Visão externa

Apesar de ter feito carreira como executivo em vários ramos da indústria, inclusive nas áreas de tecnologia e energia, Ribeiro conta que é a primeira vez que ele atua diretamente na advocacia. Se de um lado o próprio Estatuto da Advocacia diz que os escritórios não são empresas, de outro, Ribeiro entende que as bancas não têm como escapar das técnicas de gestão empresariais.

Se comparados às demais empresas, ele afirma que os escritórios de advocacia ainda têm bastante a aprender, principalmente em algumas áreas. Ele começa citando a de recursos humanos. Enquanto as multinacionais têm políticas já bem traçadas até sobre como obter aulas de inglês, por exemplo, nas bancas esse tipo de incentivo apenas começa a ser formalizado. “É algo que, naturalmente, não existe no começo e que vai sendo criado na medida em que o escritório planeja crescer”, afirma ele.

A formação de uma área comercial dentro dos escritórios é outra necessidade emergente, aponta o executivo. Por mais que os escritórios não tenham acesso a meios tradicionais de publicidade, ele aponta que há caminhos possíveis para a busca ativa de clientes na advocacia. Como exemplo, ele cita a promoção de eventos e a criação de conteúdo.

“É uma modernização que poucos escritórios de advocacia têm. No Brasil, esse é um desafio que demanda mais criatividade – acho que isso é bom. Mas no Estados Unidos, por exemplo, os escritórios são um negócio como qualquer outro”, aponta o executivo.

Tendo em mente os desafios e o cenário econômico, Ribeiro conta que a meta do escritório é atingir um crescimento de dez pontos percentuais a mais do que o País. Para ele, atrelar a meta à economia é uma forma de garantir um senso de conquista sem perder de vista que a época é de turbulência. “Antes, estávamos batendo cinco pontos. Mas com os investimentos feitos, a expectativa é que os retornos fiquem maiores do que no passado.”

FONTE: DCI