O Mercado de IPO,16/10/15

Neste ano o único IPO realizado foi o da Par Corretora e, o registro de queda, desde sua estreia em junho, foi de 18%, conforme dados da Bloomberg.

Com a queda das commodities e a alta taxa de juros nos EUA, os investidores estão mais cautelosos e fogem de ativos com riscos maiores.Esse é o comportamento para um cenário de recessão e desemprego.

O Brasil registra um colapso relevante. Existe uma projeção de encolhimento da economia de 3% e também de retração de 1,2% para 2016. Além da alta do desemprego, e de uma inflação na casa de quase 10%. Isso refletiu seriamente para a queda do Ibovespa.

Uma inversão expressiva para um mercado que, até há pouco, era considerado por muitos investidores como destino obrigatório por força das recentes descobertas de petróleo, do efetivo crescimento do setor agrícola e outros fatores atrativos aos investidores.

Segundo registros, atualmente as empresas brasileiras têm maior probabilidade de fechar o seu capital do que de abrir. Justamente quando o Brasil se desfazia daquela imagem tradicional de empresas familiares, para entrar em um conceito de profissionalização, de transparência, de governança corporativa, com a instituição dos níveis de mercado e participação ativa, colecionando IPOs.

Hoje, para alguns gestores de recursos, o cenário é bem negativo, não enxergando mudanças para o próximo ano.

Existiam, conforme se constatou, indícios de transações a serem realizadas antes do final deste ano, mas as empresas optaram por adiar seus planos. Candidatas à emissão, que eram apoiadas pelo governo, abortaram seus planos de abrir o capital em 2015.

A crise acabou por atingir os banqueiros de investimento, sendo que o único segmento que registrou algum crescimento foi o de reestruturação.

Não há, pelo menos a curto prazo, uma perspectiva de recuperação imediata deste mercado. O investidor certamente irá olhar mais para o mercado de ações, justifica Márcio Guedes, banqueiro de investimento da Pangea Partners, de São Paulo. Segundo ele “não há como justificar a compra a um preço que, na verdade, está mais elevado que o que se consegue obter na bolsa”.

Hoje o Brasil não está nem entre os 15 maiores mercados para o IPO. Uma queda realmente brusca para, como acima mencionamos, um destino certo e promissor para os investidores.

O momento recomenda cautela favorecendo, como acima, o mercado de ações.”

FONTE: Comentários a artigo – Bloomberg – Jonathan Levy.

Artigo comentado pela Dra. Ingrid Mendonça, Líder da área Societária do Cerqueira Leite Advogados Associados.